Os clusters criativos tem o potencial para revolucionar a economia das cidades ao gerar inovação e novos negócios.
Os clusters criativos - concentrações geográficas de empresas do setor criativo, como tecnologia, design, arquitetura, moda, artes visuais, entre outras - tem o potencial para revolucionar a economia das cidades ao gerar inovação e novos negócios, segundo o especialista britânico em desenvolvimento cultural e diretor da Creative Clusters Conference and Network, Simon Evans.
O especialista falou durante a abertura do Seminário Internacional de Clusters Criativos, promovido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e pelo Sesc-SP, na noite de ontem (27), em São Paulo.
Apesar das possibilidades de trabalho a distância, o espaço físico compartilhado pelas empresas possibilitado pelos clusters criativos é importante e pode regenerar espaços nas cidades. "Ele é uma forma de pessoas e suas habilidades interagirem. A essência deles é inovação, mas as iniciativas não nascem do nada e são baseadas na cultura local. Em muitos exemplos de cidades, os espaços usados são antigos prédios industriais em lugares degradados, o que ajuda a revigorar regiões. Mas o que dá certo para cada cidade é diferente", explica Evans.
Para o presidente da FecomercoSP, Abram Szajman, "as expressões culturais administradas com inteligência podem gerar desenvolvimento e os especialistas do evento trazem grandes experiências que podemos usar para requalificar espaços".
A ideia de unir empresas do mesmo setor em um único lugar pode gerar receios no meio corporativo, mas existem vantagens. "A essência dos clusters é colaboração e competição entre as empresas. Além disso, a divisão de espaço facilita, pois investidores e pessoas que precisam dos serviços sabem onde encontrá-las. Quando os clusters estão estabelecidos de forma correta se tornam sustentáveis", afirma o britânico.
Para os governos incentivarem os clusters são necessárias três coisas: "pensar em uma visão de futuro, estabelecer regras e regulamentos (eficientes e justos) e oferecer os recursos certos, como investimento e infraestrutura." Segundo Evan, outro ponto que não pode ser esquecido é investimento na educação. "Isso será um dos motores para o sucesso. Porém, o sentido é mais amplo do que apenas treinar pessoas. É sobre preparar profissionais para serem inovadores, corajosos, comunicadores e entender a necessidade de culturas diferentes", conclui.
O presidente do Conselho de Criatividade e Inovação da FecomecioSP, Adolfo Melito, acredita que a entidade é pioneira em pautar economia criativa no Brasil. "Estamos discutindo o assunto desde 2007, pois ele está calcado na moderna economia, que inclui diversidade e colaboração. Nossa expectativa é reforçar essa convicção e buscar inspiração para desenvolver novos modelos de gestão, abrindo um terreno fértil para novos projetos", afirma.
"A economia criativa é uma nova forma de produção, onde a indústria dá sentido, valor e emoção para os produtos. Esse era um papel da arte, mas agora estamos comercializando cultura, alinhando três ingredientes: capacidades criativas, administração de negócio e tecnologia", pontua Evans.
Ana Carla Fonseca, curadora do evento, explica que os casos selecionados para o seminário contribuem com olhares diferentes sobre o mesmo tema, mas com uma visão crítica. "Um cluster pode ser transformador para quem acredita no potencial de fazer das cidades um ambiente melhor. É impossível que uma pessoa seja um trabalhador criativo em ambiente apático. Os exemplos nos mostram que é possível resgatar o lado econômico e social da cidade".
Nesta sexta-feira, o seminário segue com debates e palestras com participação de profissionais da Argentina, Canadá, Espanha, Dinamarca, Holanda e França, com cases sobre como clusters criativos estão promovendo mudanças econômicas e sociais em cidades que decidiram apostar nessa tendência. Pessoas de todo o País podem acompanhar o seminário pela web, através do link fecomercio.inaclive.tv.br.
Confira abaixo a programação desta sexta-feira (28):
Manhã:
-Enrique Avogadro (Argentina), diretor de Indústrias Criativas e Comércio Exterior de Buenos Aires e diretor do Centro Metropolitano de Design da cidade, vai falar como foram pensados os distritos criativos da capital argentina, sua gestão e lições aprendidas com parcerias público-privadas.
-Caroline Dubuc (Canadá), curadora de design do escritório de design de Montreal, detalhará as iniciativas de integração de profissionais de arquitetura e design no desenvolvimento de projetos que melhoraram o ambiente urbano da cidade e a qualidade de vida da população.
- Maria Teresa Llobet (Espanha), coordenadora do Roca Umbert Fàbrica de Les Arts, vai explicar a aposta da cidade de Granollers, município próximo a Barcelona, na indústria criativa a partir do projeto Fábrica de Les Arts, antiga fábrica transformada em centro cultural.
- Rasmus Wiinstedt Tscherning (Dinamarca), diretor do Centro para a Cultura e Experiência da Dinamarca, contará como os países nórdicos estão se desenvolvendo e ampliando emprego com o sucesso da indústria criativa, analisando políticas nos níveis regional, nacional e de União Europeia.
Tarde:
- Anne Mieke Eggenkamp (Holanda), ex-diretora da Academia de Design de Eindhoven, falará sobre a região de Brainport, reduto de pesquisa e criação tecnológica local voltado para o desenvolvimento de inovações em sistemas, materiais de alta tecnologia, alimentos, indústria automotiva, saúde e design. O ambiente favorece um ecossistema de inovação que permite às boas ideias encontrarem caminho para ir ao mercado mundial.
- Xavier Greffe (França), professor de Economia da Universidade Sorbonne, falará sobre os impactos dos clusters e as formas de apurar os efeitos econômicos e sociais por eles gerados. A mensuração se torna importante para mostrar a sinergia gerada pelos clusters e os benefícios da concorrência entre as empresas.
Credenciamento de imprensa:
Sabrina Daspett - imprensa@fecomercio.com.br
(11) 3170-1582/ (11) 97325-8366
Serviço:
Seminário Internacional de Clusters Criativos
Data: 28 de junho
Hora: 9h às 18h
Local: Teatro Raul Cortez - FecomercioSP
Endereço: Rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista
Sobre a FecomercioSP
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) é a principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços. Responsável por administrar, no Estado, o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), representa um segmento da economia que mobiliza mais de 1,8 milhão de atividades empresariais de todos os portes e congrega 154 sindicatos patronais que respondem por 11% do PIB paulista - cerca de 4% do PIB brasileiro - gerando em torno de cinco milhões de empregos.
Para saber mais sobre A Economia Criativa acesse cursosraizesculturais.com.br
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