quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Economia Criativa: Uma década mais criativa


O Centro de Indústrias Criativas de Macau celebra, no final do mês, o 10º aniversário, renovando votos de ser uma ‘montra’ para criativos que tentam erigir uma indústria, ainda sem firmes alicerces mas desenhada para diversificar a economia.

O balanço da actividade do Centro de Indústrias Criativas, um projecto do Instituto de Estudos Europeus de Macau, é “evidentemente bom”, apesar de se querer “sempre muito mais”, disse à Lusa a coordenadora da Creative Macau, Lúcia Lemos.

Inaugurada a 28 de Agosto de 2003, a Creative vai celebrar o aniversário com várias actividades, num programa que inclui uma exposição colectiva, sob o tema “Make a Wish”, música ao vivo por duas bandas de jazz, a apresentação da peça de teatro “Arthur Artistick”, bem como o lançamento do livro “Documenta”, com o historial de eventos de maior relevo, e de selos comemorativos.

No mesmo dia vai ser também anunciado o vencedor do melhor trabalho alusivo aos dez anos dentro das 12 áreas que o centro cobre, a quem será atribuído um prémio de 25 mil patacas.

Além da vertente de galeria, a Creative organiza ‘encontros’, ‘workshops’ e outras iniciativas, lançando concursos em várias áreas com destaque para as artes visuais.

“A variedade do que fazemos é bastante eclética, mas também é preciso haver público, queremos dar oportunidades, pelo que o muito interessante na natureza do nosso projecto é realmente tentar encontrar pessoas locais e juntá-las em iniciativas com outras que trabalham numa determinada área dando a oportunidade para crescerem e ajudando a trazer outro público”, afirmou.

Os ‘workshops’ visam “ajudar as pessoas a perceberem que as suas ideias são possíveis de se realizarem e ajudar a desenvolver ou dar mais conhecimentos para que as possam concretizar”, disse a coordenadora da Creative, sublinhando a aposta em “crescer” a este nível.

Em Setembro, arranca mais um ‘workshop’ de escrita de argumento, o qual pode figurar como uma espécie de antecâmara para algo mais ambicioso, adiantou.

“Eventualmente, isto até vai resultar numa ‘academia’ ligada ao cinema. A ideia é fazer formação durante um ano lectivo que poderá ser dividida por módulos, mas isto envolve muita coisa, mas ainda estamos a pensar como vai ser”, afirmou.

Apesar de notar “cada vez mais interesse” por parte de criativos com vontade de exibirem os trabalhos e de serem “uma voz”, Lúcia Lemos constata que falta uma alavanca que permita a sua afirmação.

“Como se pode criar uma indústria criativa ou como se pode alimentar um corpo de criativos em Macau se não se criam infra-estruturas ou oportunidades para realmente surgir algo de grande qualidade, passível de amadurecer, perdurar e de ser realmente sólido?”, questionou, salientando que existe um núcleo de ‘talentos’ que adquiriram formação, alguns dos quais no estrangeiro, mas cujo potencial não é plenamente aproveitado.

Embora as indústrias criativas sejam “muito faladas” e haja interesse do Governo em as fomentar, as pessoas “não têm possibilidade de pôr as ideias em prática”.

“Não basta ter ideias, fazer apenas um trabalho de vez em quando e dizer que estão presentes”, apontou Lúcia Lemos, ao realçar ser necessária uma “máquina” desde a concepção até à chegada do produto ao público.

“É preciso criar um centro de design, em que as pessoas possam aprender a produzir e expor os seus protótipos, em que empresários possam investir e universidades possam ver e coordenar. (…) O dinheiro tem é de fluir com as ideias, de gerar todo o percurso, tem de haver alguém que invista, se for a tempo perdido não importa, mas é preciso que se possa pôr gente a pensar e um grupo a produzir” e, neste âmbito, até se poderiam “recuperar” artesãos.

A ideia é “realista”, porque “há muito dinheiro” em Macau. “Este discurso que temos não é de agora”, disse, defendendo que “faria todo o sentido” criar “incubadoras”.

“É altura de realmente se pensar nas indústrias criativas e fazer delas uma economia criativa”, rematou.

fonte: http://pontofinalmacau.wordpress.com/

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