quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A Economia Criativa · Empreendedorismo cultural: os pequenos fazem melhor no mercado independente


Conheça as iniciativas de profissionais que têm movimentado o cenário da Produção Cultural na Bahia

Qual a melhor forma de se dar bem no mercado cultural? Até a década de 80, empreender os próprios projetos era privilégio de poucos. Os meios de produção, distribuição e consumo de produtos culturais estavam concentrados em grandes empresas do eixo Rio-São Paulo. Com a virada do século e a reconfiguração do mercado da música, artistas e produtores independentes sentiram a necessidade de empreender de forma criativa como um meio de furar o bloqueio do mercado.

Nessa nova cartografia da produção e do consumo cultural, de um lado estão artistas e produtores à margem dos grandes conglomerados da Indústria Cultural e do outro o Estado enquanto órgão regulador de políticas públicas de incentivo à cultura. Embora não haja fórmula pronta, muita gente começa a realizar ações culturais sem qualquer tipo de apoio financeiro ou orientação profissional. No entanto, é fundamental que estes produtores em potencial busquem suporte em órgãos de consultoria a exemplo do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).





Vince Athayde


Empreender pressupõe coragem - Vince Athayde era somente músico antes de se aventurar no papel de produtor cultural. Enquanto músico, sua maior dificuldade era ter que vender seu produto, convencendo produtores e potenciais patrocinadores que seu trabalho era interessante. "As pessoas não têm curiosidade de ver o que está acontecendo e você tem que bater na porta de quem não tem curiosidade para tentar encaixar seu trabalho no projeto de outra pessoa", observa o ex-vocalista da banda Lampirônicos e atual integrante do RadioMundi Ssa. "Acabávamos tocando sempre nos mesmos lugares", conta.

Incomodado com barreiras impostas pelo mercado, que já demonstrava sinais de desmoronamento, a alternativa para o impasse foi tentar empreender seus próprios projetos e eventos. Em 2006, com a intenção de preencher as lacunas que havia no cenário da produção cultural baiana, especialmente em relação à música que estava sendo feita aqui, o artista decidiu arriscar e fundou a Maquinário Produções, produtora responsável por trazer o projeto musical 'Conexão Vivo' para a Bahia.

Ocupando atualmente o cargo de diretor geral da empresa, Vince já contabiliza mais de 300 eventos realizados, entre shows e palestras, além de desenvolver diversos projetos culturais como é o caso do 'Futurama - Música e Intervenção Ambiental, Intercenas Musicais' e do 'Zona Mundi - Circuito Eletrônico de Som e Imagem', que realiza nos dias 9, 10 e 11 de janeiro, em Salvador, sua quarta edição.

Premiado em edital voltado para a Economia Criativa na categoria 'Empreendedorismo e Negócios Criativos' do Ministério da Cultura, Vince admite que trabalhar com cultura em Salvador não é tarefa fácil, especialmente porque as diretrizes que orientam a política cultural do Estado nunca foram bem definidas. "Há dez anos, esse segmento que a gente atua, que eu não chamo nem mais de alternativo, mas de circuito preferencial, não contava com políticas públicas, leis de incentivo, e se tinha eram benefícios restritos a poucos produtores e outras pessoas articuladas à iniciativa privada", pontua.

"A cultura no Brasil não é autossustentável e sente muita falta quando o poder público não injeta dinheiro a fim de oxigenar uma economia que gira em torno dali", acrescenta. Vince explica que o dinheiro público acaba sendo um capital complementar, que vai bancar a estrutura que o produtor mensura quando pensa um projeto e os custos do próprio evento, entre cachê dos artistas e demais profissionais.

Articulado a uma rede de produtores associados a microempresas e empreendedores individuais, Vince, em parceria com outros profissionais, implantou uma série de ações culturais no estado. A primeira iniciativa foi a criação da Incubadora de Festivais e Mostras de Música (Ifem), que realizou festivais em cidades consideradas polos de cultura na Bahia, como Salvador, Ilhéus e Vitória da Conquista. Ex-curador da Fundação Nacional Das Artes (FUNARTE), o produtor também é sócio-fundador do Commons Studio Bar, uma multiplataforma de eventos, concebido para receber de shows musicais a encontros corporativos. "Todo produtor, antes de pensar na planilha, sente a vontade de fazer", declara.




Para saber mais sobre A Economia Criativa acesse cursosraizesculturais.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário