quarta-feira, 30 de julho de 2014

A Economia Criativa · Santa Cruz de Goiás e a economia criativa


Sempre procuramos o nosso cheiro, nossas cores, nossas vozes para nos sentirmos parte de um todo. Somos seres em permanente construção; possuímos um acervo vivencial que contribui para a nossa constituição enquanto sujeito sócio-cultural.


Às vezes me pego procurando esses sinais, coisas que fazem com que eu me sinta um pouquinho em casa por mais longe que eu esteja. A casa que refiro não é construída com tijolos, cimento, telhas, mas uma casa edificada com signos e significados, ligações simbólicas, alicerçada por uma relação dinâmica entre o sujeito e a cultura.


Na concepção descritiva, pululam estudiosos destinados a estudarem cientificamente o conjunto inter-relacionado de crenças, costumes, formas de conhecimentos, arte, etc, que são adquiridos pelos sujeitos enquanto membros de uma sociedade particular. A pesquisa de um lado e os grupos de culturas do outro. Há um processo; uma constante busca em relativizar - se com os demais e estabelecer uma relação dinâmica entre os estudiosos e o objeto de estudos.


Os grupos culturais tradicionais constituem num espaço de construção dialógica e de vivências de produção, distribuição, organizados a partir de valores de solidariedade e cooperação. A sonhada economia da cultura (criativa) e os empreendimentos de economia solidária: – A cultura empresarial capitalista é a liberal (ou neoliberal), segundo Paul Singer, “que hoje prevalece no mundo, mas se confronta com as culturas do mundo do trabalho, cujo denominador comum tende a ser a economia solidária. Uma tendência que se afirma cada vez mais no Brasil e em outros países da América Latina e começa a se desenvolver também na África, Ásia, Europa, América do Norte e Oceania. Na medida em que a economia solidária constitui uma proposta cultural aberta à confluência com os frutos de outras experiências históricas, de povos tradicionais de diversos continentes, religiões, línguas etc. e dos mais jovens que já nasceram num mundo globalizado e desde cedo experimentam o choque entre culturas de classe opostas, que as conquistas cibernéticas vão difundindo, ela se torna o substrato comum das culturas do povo trabalhador de muitas latitudes ...”


O cooperativismo aparece como alternativa ao capitalismo.


Singer, no I Encontro dos Municípios, com o Desenvolvimento Sustentável, salientou a afinidade entre a economia criativa e solidária: (...): “A minha proposta é que cientistas e artistas trabalhando em conjunto tendem a ser solidários e não competitivos”.


O ano 2012 foi escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para destacar o tema do cooperativismo no mundo. Uma forma de viver e trabalhar em que as pessoas buscam alternativas ao modo de produção excludente; um desenvolvimento para as pessoas, construído pela população a partir dos valores da solidariedade, da democracia, da cooperação, da preservação ambiental e dos direitos humanos.


A autogestão dos empreendimentos culturais, tais como, folia, cavalhada, contradança, congada etc., nos pequenos municípios, a exemplo de Santa Cruz de Goiás, onde a gestão da cultura é débil e sujeita a oscilações, se solidifica e se sustenta na base da solidariedade onde o que mais se troca são afeiçoes e histórias. A criatividade mantém a memória, escreve histórias e gera renda.


A cultura popular com seus grupos é um capital simbólico, uma moeda de troca, pois bem administram sua herança cultural, assim afirmou Regina Lacerda.


Economia Solidária, Economia da Cultura, Meio Ambiente são enunciados que nunca devem se distanciar.


Um Movimento Ambientalista defende o “decrescimento” como a única forma de garantir a sustentabilidade do planeta a longo prazo: “(...) Acumulamos sacrifícios escondidos – por exemplo, na questão da mobilidade. Em vez de andar 400 metros, muitos preferem usar um carro, objeto que custará dois meses de seu trabalho, provocará poluição e ficará parado no trânsito. É fascinante como temos pouco controle sobre nossas escolhas, como elas são determinadas inconscientemente. Atualmente, elas são direcionadas para estimular o consumo. Temos que quebrar esse processo, direcionando-o para (promover um estilo de vida) de baixo consumismo” (Assadoirian em entrevista à Paula Adamo Idoeta, da BBC Brasil em Londres).


A criatividade incide a dificuldade e transforma o saber em economia, sem afugentar a essência. A globalização tende a hegemonizar a cultura, porém, os atores e os sujeitos ratificam as particularidades que singularizam e as singularidades que particularizam cada expressão, e assim, definem territórios criativos e específicos onde o individuo se insere, se sente parte, contribuindo, (re) criando, (res) significando. Alguns veem a cultura, apenas, como produto; outros buscam o conhecimento para entenderem os significantes e os significados.


Desta maneira verifica-se a criatividade das amigas Liberalina e Luciana e a solidariedade entre vizinhos ao organizarem a “quadrilha do beco”, intercambiando o ganho simbólico e numérico, transcendendo a poesia, proporcionando o (re) encontro de gerações e a geração de renda.
(Fátima Paraguassu, presidente da Associação dos Amigos de Santa Cruz de Goiás - fatipar@hotmail.com)

fonte: http://www.dm.com.br/texto/185762-santa-cruz-de-goias-e-a-economia-criativa


Para saber mais sobre A Economia Criativa acesse cursosraizesculturais.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário