Durante seis meses 40 jovens revisitaram 500 pontos culturais das favelas, mapeados pelo projeto Solos Culturais, e os catalogaram no mapa online colaborativo "Guia Cultural de Favelas", que será lançado amanhã (29) no Observatório de Favelas. Gilberto Vieira, coordenador do projeto, ressalta que o Guia é para que o turista saiba que existem mais opções na cidade além do que o divulgado no aeroporto. “O guia deve ajudar a potencializar a economia que tem na favela. Parece prepotente que a gente queira abarcar tanta coisa, mas é uma ferramenta importante”, afirma
Favela 247 – Desdobramento do projeto Solos Culturais, iniciativa que formou, entre 2012 e 2013, 120 jovens em produção cultural e pesquisa em cultura, o mapa online colaborativo "Guia Cultural de Favelas" será lançado amanhã (29) no Observatório de Favelas.
40 jovens revisitaram durante seis meses os 500 pontos culturais das favelas mapeados pelo Solos Culturais, com o objetivo de produzir o conteúdo multimídia que alimentará o mapa virtual. Nathalia Menezes, moradora do conjunto de favelas do Alemão, mapeou os pontos culturais de sua comunidade: “Alguns são equipados, mas ainda não o suficiente para atender as demandas. Mesmo assim, a galera não desiste. Na favela existe a ideologia da integração, de formar, criar, buscar novas oportunidades e revelar novos talentos através da cultura seguida da educação”, afirmou em entrevista ao jornal Maré de Notícias.
Gilberto Vieira, coordenador do projeto, ressalta que o Guia é para que o turista saiba que existem mais opções na cidade além do que está no guia cultural que a prefeitura distribui no aeroporto. “O guia deve ajudar a potencializar a economia que tem na favela. Parece prepotente que a gente queira abarcar tanta coisa, mas é uma ferramenta importante”, defende.
O Projeto integra o Programa Favela Criativa, resultado da parceria entre o poder público e a iniciativa privada, contando com recursos de R$ 14 milhões, provenientes da própria Secretaria de Estado de Cultura, da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, da Light, do Programa de Eficiência Energética da ANEEL e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O Favela Criativa é formado por um conjunto de projetos que oferece a jovens agentes culturais formação artística e especialização em gestão cultural e estabelece canais de diálogo entre estes jovens, possíveis parceiros e patrocinadores potenciais.
Por Rosilene Miliotti, para o Maré de Notícias
Vem aí o Guia Cultural de Favelas
Será lançado no dia 29 de agosto (sexta), às 18 horas, no Observatório de Favelas, o Guia Cultural de Favelas – um desdobramento do projeto Solos Culturais, iniciativa que formou, entre 2012 e 2013, 120 jovens em produção cultural e pesquisa em cultura.
Durante seis meses, 40 jovens que participaram do projeto revisitaram os pontos culturais das favelas, com o objetivo de produzir o conteúdo multimídia que alimentará o mapa virtual.
Nathalia Menezes, moradora do Complexo do Alemão, mapeou os pontos culturais da comunidade onde mora e diz que a dificuldade que teve para fazer o trabalho foram os confrontos policiais, mas que retornou aos locais documentados para se divertir.
Para ela, há diferença entre os espaços de entretenimento nas favelas e na cidade, mas pelo lado estrutural, físico e de recursos. “Alguns são equipados, mas ainda não o suficiente para atender as demandas. Mesmo assim, a galera não desiste. Na favela existe a ideologia da integração, de formar, criar, buscar novas oportunidades e revelar novos talentos através da cultura seguida da educação”, completa.
Gilberto Vieira, coordenador do guia, diz que durante o Solos, cerca de 500 práticas culturais foram mapeadas nesses territórios, mas quando o projeto acabou eles se perguntaram: “O que fazer com essas fichas e dados?” Daí surgiu a ideia do guia.
“Fizemos um processo formativo com alguns participantes do Solos para rever o material que já existia, mapear novos pontos, atualizar a pesquisa e verificar se os espaços que já haviam sido mapeados ainda existiam ou não. A partir daí, construímos conteúdo para estes lugares. O guia é um mapa online colaborativo. Quando você abrir o mapa, vai ver vários pontinhos. É só clicar em um desses pontos que vai abrir uma caixa com texto, foto e vídeo sobre aquela prática cultural”, explica ele.
No lançamento, o guia já terá cerca de 50 pontos, sendo oito na Maré, e as pessoas poderão, então, acrescentar outros locais.
É ou não é cultura?
Durante os encontros, o debate sobre o que é cultura foi pauta quase que constante. “Se fossemos aos locais com preconceito, esse processo poderia dar em um mapa apenas com teatro, dança, música, cinema e audiovisual. Vimos que cultura não era só isso. A partir daí, fomos abrindo o leque de oportunidade. Uma pessoa que produz pipa em Manguinhos: é importante que esse cara esteja no guia? Sim, é. Ele mobiliza uma porção de crianças em torno da pipa. Isso é cultura? Sim, é”, defende.
Gilberto ressalta que o Guia é para surpreender o turista, para que ele saiba que existem outras coisas para fazer na cidade além do que está no guia cultural que ele ganha da prefeitura ao chegar no aeroporto. “O guia deve ajudar a potencializar a economia que tem na favela. Parece prepotente que a gente queira abarcar tanta coisa, mas é uma ferramenta importante”, defende.
#VaiProGuia
O site traz a aba “Colabore”, com a intenção de que o guia seja o mais colaborativo possível. Então, se você tem um samba, um grupo de teatro, qualquer coisa que tenha a ver com produção cultural em qualquer favela do Rio de Janeiro, você pode colocar no mapa. O site terá moderação apenas para checar se o conteúdo está nos moldes adequados e se aquele espaço é mesmo ponto cultural ou não. O guia também terá um aplicativo para celular e tablet.
“Essa é uma plataforma para que as pessoas que produzem cultura na favela se reconheçam no mapa, para que esses produtores culturais possam divulgar o seu trabalho e pra quem chega à cidade. O turista que chega ao Rio não tem guia nenhum de eventos culturais para além do centro e a zona sul da cidade. Às vezes ele ganha um guia da prefeitura ainda no aeroporto, mas com a plataforma ele poderá acessar do celular e ver quando tem feijoada na Cidade de Deus, por exemplo”, explica Gilberto.
Além disso, o mapa é do mundo inteiro (é só dar zoom menos). Se alguém na África quiser colocar seu ponto de cultura, ele vai poder, mas colocar os pontos culturais da Rocinha está sendo um problema. “No Google Maps, a Rocinha aparece como uma pedra, não tem ruas e a participação da galera que mora lá está sendo essencial”, conta Gilberto.
Serviço:
Lançamento do Guia Cultural de Favelas
Dia 29/08/2014 (sexta-feira)
Hora: 18h às 22h
Local: Observatório de Favelas
Endereço: Rua Teixeira Ribeiro, 535 – Maré – Rio de Janeiro
Atrações: Los Chivitos, Allen Jerônimo & Rave Raiz, DJ Pajé e DJ Alexandre
fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/favela247/151639/Amanh%C3%A3-%C3%A9-o-lan%C3%A7amento-do-Guia-Cultural-de-Favelas.htm
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