segunda-feira, 18 de maio de 2015
Região do Porto se consolida como polo de economia criativa Área tem atraído designers, arquitetos, publicitários, empreendedores sociais e profissões afins
Rio - Enquanto as britadeiras e escavadeiras mostram o lado mais alardeado e barulhento da revitalização da Zona Portuária, uma segunda renovação se esconde por detrás das paredes dos sobrados centenários da região. Rapidamente, a área tem se consolidado como um polo de empresas na área de economia criativa, atraindo designers, arquitetos, publicitários, empreendedores sociais e profissões afins.
O burburinho que elas criaram já chamou a atenção da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), que está mapeando as iniciativas na área. Até agora, foram contabilizados mais de 200 agentes culturais.
“A renovação urbana não é apenas de obras, mas também de ideias. A mudança destas empresas representa isso”, diz Daniel Vam Lima, gerente de Desenvolvimento de Economia Social.
Fora as obras do Porto Maravilha, um dos atrativos da região é a oferta de sobrados espaçosos a preços bem mais modestos do que os praticados na Zona Sul — para quem está disposto a reformar, geralmente. Outra vantagem é o zoneamento da área, que permite a instalação de indústria e comércio, fator essencial para empresas que possuem maquinário para produzir peças.
Além de levar desenvolvimento econômico para a região, as empresas também carregaram ideias frescas e novas formas de fazer negócios. Um dos epicentros desta movimentação é a Goma, uma associação que reúne 23 empresas e 77 pessoas. O grupo surgiu a partir da ocupação de um casarão na Rua Senador Pompeu, no fim de 2013, e hoje já se espalhou por três sobrados, em uma área de 750 metros quadrados.
Mais do que um espaço de coworking, o Goma propõe um trabalho em rede, em que as empresas fomentam seus negócios mutuamente.
Em projetos maiores, uma recruta a outra, de forma que elas podem se adaptar a grandes ou pequenos negócios. “O faturamento aumenta, pois à medida que a trabalhamos juntos, podemos pegar projetos maiores que, sozinhos, não pegaríamos”, diz Vinícius Machado, 34, um dos fundadores da Goma e sócio da empresa de consultoria Carioteca.
A flexibilidade atraiu a empresária Marcella Mugnaini, 26, sócia da agência de marketing Up Line. Ela está reformando uma das áreas da Goma para se mudar com uma equipe de 15 pessoas. “Queremos atuar mais em rede, com uma estrutura menos fixa. Não acreditamos muito mais nesse modelo de megaestruturas”, diz.
A mudança da região lembra experiências internacionais, como Bilbao, na Espanha, e o Soho, em Nova York. Mas quem chegar tarde demais perderá o bonde da história. “A onda certa para surfar é a primeira”, diz Vinícius.
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